domingo, 26 de junho de 2011

Passível de fazer sentido.


De uma estrela que talvez tenha encontrado seu céu.

Vem como um raio, que ao invés de me deixar estirada no chão, me deixa extasiada, em choque. Confusa com as palavras que vem em torrentes no meu pensamento. É tanta coisa que quero dizer, e tudo caberia em um só abraço, talvez.
É algo que grudou em mim, se entranhou, se alojou em um órgão que se encontra em flores. Me marcou como um corte profundo, por um caco de vidro grosso que pisei sem perceber. A dor se assemelha a isso por ser igualmente forte. Mas ao invés de jorrar sangue, apenas bombeia. Faz pulsar.
É algo que não se pode evitar, não se pode mais viver sem. E é como essas coisas naturais, que sentimos e temos sem perceber. Como lembranças que nos ocorrem enquanto olhamos para a paisagem em uma viagem de ônibus. O que seria de uma viagem longa, sem a dádiva do pensamento, da imaginação?
Se não existisse céu, onde as estrelas estariam? No mínimo a noite seria um pouco mais triste.
Se não existisse oceano, onde os peixes viveriam? No máximo em um aquário apertado.
Se não existisse você, onde eu estaria? Provavelmente vagando por algo incerto, procurando por estrelas sem céu e peixes sem oceano.
Se você não existisse eu teria que, no mínimo, inventar você. Já que no fim das contas, você parece ter saído exatamente da minha imaginação.

domingo, 5 de junho de 2011

Gelo.


Eu sou fria, muito fria. Tão fria, que chego a esquentar. Queimar como gelo na pele.
E apesar do conceito de frio ser antiquadamente definido como algo ruim, saiba que assim como o gelo, eu derreto. Basta apenas você saber chegar a mim da maneira certa. Basta ser quente.
Derretendo eu escorro. Eu vaso por entre seus dedos e me esvaio. Talvez você não consiga me ter inteira nunca mais. Tenha cuidado. Mas talvez, eu forme uma poça sob seus pés, lhe molhando, lhe incomodando, lhe mostrando que eu ainda existo, que eu ainda estou ali. E mesmo que pés molhados sejam desconfortáveis, peço desculpas e quero que saiba que a todo tempo, eu só quis ser agradável.
Eu sou o inverno mais frio, com alma de verão, enfeitado de flores de primavera, passeando pelo outono mais ameno.
Eu sou fria. Eu queimo. Eu derreto. Eu molho e incomodo, como o gelo. Mas saiba que eu só quis – a todo tempo – te refrescar.
Te congelar pra mim.


domingo, 22 de maio de 2011

Exageradamente Distorcido (?)


Aos dezesseis as coisas são complicadas demais. Ensino médio, garotos idiotas sem o mínimo senso de percepção, pais que não entendem, cabelo rebelde, sociedade exigente em relação aos modos e aparência. Tem que ser magra, tem que ter cabelo liso e se você for loira, melhor pra você. Mas por favor... Não deixe de retocar a raiz.
Aos dezessete as coisas mudam. Se for pra pior ou pra melhor, varia de pessoa, de cabeça e de condição financeira. Você vai entrar em uma faculdade particular ou vai se matar pra entrar em uma pública? Se for a primeira opção, você é quem vai pagar com seu salário de atendente do seu trabalho de meio período? Ou não? E se for a segunda opção, você vai ter que mudar de cidade pra poder estudar em uma federal? Elas costumam ser longe de casa, não é?
Aos dezoito, se tudo der certo e se você não se iludiu com um qualquer e se tornou mãe solteira, você estará na faculdade. Mas e aí? Ser caloura é mesmo tão legal assim? E o curso com que você sonhou a vida inteira, é mesmo o que você queria? Essas leis jurídicas são tudo o que você sempre quis ou você preferiria estar em um curso de história? Tá ficando chato, né? É, eu sei que está.
Aos dezenove, tudo se estabiliza. Não, minto... Tudo se paralisa. Você não namora mais o seu amor da adolescência, você está no terceiro período e anda odiando as leis mais do que qualquer coisa, você ainda não conseguiu um trabalho e muito menos um estágio legal, que te sobre tempo pra estudar. Sua vida amorosa anda em baixa, você tem uma vida virtual e sua vida social, quando parece que estar melhorando, cai no fundo do poço.
Mas você encosta a cabeça no travesseiro toda noite pensando em como as coisas podem melhorar, se é que podem. Ou em como poderia ter feito como a Natasha, que aos 17 anos fugiu de casa.

Natasha - Capital Inicial

sábado, 14 de maio de 2011

Alice.

Alguém me explica? Porque eu não entendo não senhor. É amor, eu sei que é. É forte, tenho dúvidas não. É verdadeiro, pode crer que sim. Mas me explica, por favor?
Não teve uma simpatia imediata e exagerada, mas teve empatia. Éramos iguais sendo tão diferentes. Uma é uma fortaleza, a outra... A personificação da sensibilidade.
Tantas diferenças dissolvidas por falsos dias de estudos, verdadeiras tardes de risadas.
Companheirismo que cresceu com a distância, amizade que se fortaleceu apenas por se manter forte, saudade de conversas nunca obtidas, baladas nunca curtidas, tardes de amigas que nunca aconteceram... Bom seria se a ponte aérea Rio - São Paulo me permitisse atravessá-la a pé, só pra eu poder te dar um abraço forte, um desses que eu te devo faz tempo.
Alguém me explica? Como mesmo assim eu a quero muito mais que bem. Como eu a considero tanto? Como eu a amo como se ela estivesse aqui todo dia?
Eu espero que um dia, Alice Alves de Almeida Canabarro – mulher do nome imponente e personalidade forte – eu possa ser pelo menos um pouco da fortaleza que és. Saiba que te admiro muito. Foi assim e pra sempre será.
Sinto saudade do que tínhamos e do que nunca tivemos, mas espero calmamente que tudo possa um dia acontecer. Nunca fomos uma da outra de verdade, mas não vou permitir nunca que tirem você de mim. Te amo.