Eu sou fria, muito fria. Tão fria, que chego a esquentar. Queimar como gelo na pele.
E apesar do conceito de frio ser antiquadamente definido como algo ruim, saiba que assim como o gelo, eu derreto. Basta apenas você saber chegar a mim da maneira certa. Basta ser quente.
Derretendo eu escorro. Eu vaso por entre seus dedos e me esvaio. Talvez você não consiga me ter inteira nunca mais. Tenha cuidado. Mas talvez, eu forme uma poça sob seus pés, lhe molhando, lhe incomodando, lhe mostrando que eu ainda existo, que eu ainda estou ali. E mesmo que pés molhados sejam desconfortáveis, peço desculpas e quero que saiba que a todo tempo, eu só quis ser agradável.
Eu sou o inverno mais frio, com alma de verão, enfeitado de flores de primavera, passeando pelo outono mais ameno.
Eu sou fria. Eu queimo. Eu derreto. Eu molho e incomodo, como o gelo. Mas saiba que eu só quis – a todo tempo – te refrescar. Te congelar pra mim.
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domingo, 5 de junho de 2011
Gelo.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Carta à você.

Você se lembra quando disse que nunca me deixaria quando estava parado na soleira da porta, com uma mala e com a passagem de ônibus em mãos? "Nunca te esquecerei, eu te prometo".
Eu não me esqueci da sua promessa, assim como não esqueci do seu sorriso. Sua imagem desajeitada habita meus sonhos desde o que dia que você se foi, e desde então eu não sei o que é sorrir sem forçar. Eu perdi as contas das vezes que acordei no meio da noite, suada, ofegante e já com lágrimas, que permaneciam quando eu descobria que a sua imagem se desfez. Eu já não os intitulo sonhos e sim pesadelos. É tão doloroso. Resolvi tirar a sua foto do meu mural, nela você sorria e eu não conseguia mais fazer o mesmo. Eu não te esqueci, ao contrário do que aconteceu com você. Mas eu não posso te ter tão presente, já que isso me causa uma dor imensurável. Você me perdoa por eu ser tão fraca? Você não deve saber, mas eu estou quebrando uma promessa. Eu prometi a mim mesma que eu nunca sequer tentaria te apagar da minha história. E agora, por mais que a minha borracha seja falha demais, eu tento cada dia mais. Você não ligou até hoje, nem um e-mail, nem um sms sequer...
Pra quê ser assim tão insensível? Por que prometeu o que sabia que não cumpriria? Você soube exatamente como deixar uma marca. E infelizmente está ainda na carne viva, aberta, sangrando... Essa é mais uma das dezenas de cartas que vou enterrar no fundo da gaveta, junto com as demais. Elas só servem pra abrir um pouco mais a ferida quando as leio novamente. Pois ás vezes a minha situação é tão surreal, que eu me pergunto se estou vivendo ou estou na irrealidade de um pesadelo. Saiba que por mais que você seja um tratante, um viajante sem rumo que acabou com o rumo da minha vida, eu te amo... E eu ainda espero o dia que você vai voltar, com sua velha mala, parar na soleira da minha porta dizendo que cumpriu a promessa.
Por Thainara Oliveira ;*
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coisas do coração,
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sábado, 11 de setembro de 2010
Only Exception
Era mais um dia frio de um mês do meio do ano. O dia eu nem me lembro, pois a essa hora da manhã, minha cabeça só pensava no quão feliz eu estaria se eu estivesse na minha cama quentinha. Não chovia e me arrependi de ter colocado tênis, minha sapatilha bege ficaria melhor com a minha roupa e combinaria mais com o meu cachecol feito pela vovó.
Fui pro ponto de ônibus. Lá estavam os mesmos rostos de sempre, as expressões é que estavam diferentes, havia uma certa felicidade, mas ela parecia não caber a mim.
O ônibus atrasou mais que o esperado, isso me irritou. Eu ouviria da minha chefe algo que me iria me fazer pensar em dizer algo que ela não gostaria de ouvir. Respirei fundo e coloquei meus fones, uma música sempre cai bem. Droga, bateria fraca. Dez minutos, o coletivo atrasado chegou, um pouco mais vazio que o normal, ainda bem uma coisa diferentemente boa. Engarrafamento de sempre e dessa vez sem música, a porta dianteira abre, alguém entra e eu só fitava os carros ao redor.
Um perfume. Um delicioso aroma, que me fez lembrar como é sorrir àquela hora da manhã. Não me contive, olhei pro outro lado, era um alguém. Não um qualquer, pois aquele cheiro não se encaixava a um padrão.
Me senti tão abobada depois que reparei que ele olhou pra mim de volta e sorriu. Eu estava tão acostumada a rirem de mim e não pra mim que virei meu rosto bruscamente, me remetendo a atos adolescentes, com vergonha me virei para olhá-lo mais uma vez, agora seus olhos estavam fechados. Então pude o observar sem receio, ele não era dotado apenas de um bom perfume, mas também de uma boa aparência. Um rosto másculo, seu cabelo raspado, sua covinha que me foi perceptível por ele estar esboçando um sorriso, eu quis sorrir.
Ele se mexeu e eu me virei pra janela de novo, ele se movimentou e eu não me atrevi a olhar. Demorei, mas quando olhei ele estava em pé. Me estendeu um papel, sorriu e saltou.
“ Amanhã, pode me dizer bom dia, eu não mordo.”
Eu estranhei. Ela faria parte da minha rotina agora? Com certeza fiquei vermelha.
Era mais um dia frio de um mês do meio do ano e agora a felicidade não cabia em mim.
Thainara Oliveira ;*
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