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sábado, 4 de agosto de 2012

Daydreaming

    A gente ri, conversa, se curte, se beija. E quando me distraio, olhando atenta pra novela, você acaba dormindo. É sempre assim, e eu acabei me acostumando. Você se encolhe debaixo da minha coberta, se ajeita no meu sofá pequeno e ganha um sorriso meu, e nem ao menos sabe. 
Respira calmo, tem uma expressão serena, pacífica, quase que angelical. Eu não consigo olhar pra mais nada, a não ser você. Você toma toda a minha atenção pra si, e nem percebe. E eu fico imaginando se isso é efeito do amor que sinto, ou mais uma das suas trezentas e cinquenta e mil habilidades em ser bom, só pela paz que me passa. E eu não vou parar pra dizer o quanto você é bom, porque seria injusto com todo o resto.
Sinto uma emoção dentro de mim ao repassar em pensamento a sorte que tive ao te encontrar, que meus olhos se enchem, e assim transbordam. E é assim enquanto escrevo, digitando devagar, com medo de te acordar. Eu não devia chorar, eu sei. Eu não devia sentir nenhuma ponta de algum sentimento ruim indefinido. Eu não deveria ter dor de cabeça, enjoo ou cólica. Porque eu tive a sorte, a glória, a benção de ver você entrando e permanecendo na minha vida. E isso, é o suficiente pra anular qualquer coisa minimamente ruim no mundo, no meu mundo. Dia após dia, eu agradeço a Deus por ter você.
Você continua dormindo, sereno. Tão calmo, que ao menos parece ter imagens povoando seu sono. E então tenho a conclusão, meu amor, que enquanto você dorme, quem parece estar tendo um sonho sou eu. E o melhor, é saber que você vai acordar, sorrir pra mim e quem sabe me beijar até a hora em que não mais puder. E eu não. É tudo verdade, realidade. É tudo eu, tudo você. É tudo nós. É maravilhoso dormir, vivendo. Mas é inexplicável viver sonhando. E com você, além de qualquer coisa, isso é possível. Sem mais palavras amor, eu te amo.

Thainara C.


terça-feira, 20 de março de 2012

Menina.

A menina está sentada sozinha no banco da praça. A menina que ouve canções de bossa nova. A menina que vive num mundo paralelo. A menina que se veste bem e faz teatro. A menina felizmente desencontrada. Aquela do tênis antigo, da beleza misteriosa, do sorriso escondido. A filha querida do papai, a menina da vovó. É a mesma menina que se apaixonou.

E agora ela ouve suas canções, que ganharam novos sentidos. Agora ela entendia tudo e lia perfeitamente nas entrelinhas. Agora ela entendia a luz das estrelas, gostava do arder do sol e admirava o tamanho da lua. Sentia-se igualmente cheia e em algumas situações, minguando também. Descobriu-se solidária com a dor do mundo. O amor lhe fazia bem.

Uma corrente de sentimentos a invadia dia após dia. Como se seu corpo tivesse virado moradia para um arco-íris. Cada cor com sua dor, cada qual com sua essência. Sua cabeça pesou, seu coração apesar de bondoso, chorou. Apaixonar-se não foi fácil, nem mesmo pra menina dos cabelos cacheados.

A menina chora no travesseiro baixo pra ninguém ouvir. A menina que evita cruzar com certos olhares. A menina que se sente sozinha nas noites do fim de semana. A menina que não quer mais romantismo nem mesmo nas suas músicas, mas que ouve apenas pra torturar seu pobre coração. A menina que não quer multidão, pois se acostumou com a solidão. É a mesma menina que se desencontrou.

E a culpa não era dela. A menina estava completamente apaixonada. A culpa era dele, por se apaixonar tão somente, infelizmente, pela ideia de estar apaixonado.

sexta-feira, 9 de março de 2012

apaixonado.

Eu queria que você soubesse, pequena, que amo o seu sorriso. Principalmente quando é aquele tímido, quando você olha pra suas próprias mãos e sorri. Me dá uma vontade de te roubar pra mim, de te trancar lá em casa, só pra eu poder assistir esse espetáculo todo dia.
E eu adoro sua voz. Quando você acorda,dessituada em relação ao tempo, ela fico meio rouca e eu chego a fechar os olhos, quando ouço meu nome proferido pela sua voz. Meu nome na sua voz,pequena,parece música.
Posso afirmar com toda certeza que amo seus olhos. Quando eles se apertam quando você sorri, sinto algo dentro de mim derreter. E eu aprecio também a manchinha de rímel, quando você chora. Não, não minha pequena, não é maldade não. Eu gosto de ver, porque presenciando, eu vou estar lá pra te socorrer. E te socorrer é pra que eu vivo.
Teus cabelos pequena, ah, os seus cabelos. Não são loiros da cor do sol, muito menos negros como a noite. São castanhos, uma mistura.Como se carregassem a luz do sol e o aconchego da noite. Medianos e levemente encaracolados. Perfeitos, eu diria. Diria e digo, seus cabelos são minha perdição.
E como não amar seu nariz empinado? Que faz com que essa doce face, ganhe um ar metido. Um ar docemente contestador. Um ar de mulher decidida. Teu ar falsamente metido, me dá vontade de te conhecer melhor, só pra depois provar pro mundo, o quanto eles estavam errados, por julgá-la pelo seu nariz pra cima. Semelhante a sua auto estima.
O seu tamanho, minha flor de lis, me dá vontade de te pegar no colo e cantar Los Hermanos. Só pra todo mundo saber, que “do nosso amor, a gente é que sabe, pequena...”
E então, minha bela. Sua boca... Não sei se consigo falar dela, uma vez que posso me perder, imaginando os seus beijos, que dela provém. O seu sorriso é um capítulo a parte, eu sei. Sobre eles, explicação nenhuma é o suficiente, mas os seus lábios... Ah pequena, esses eu deixei pro final, porque deles eu não quero falar, deles só quero provar. Portanto, vem. Vem pequena, vem e me beija. Vem e me acalma com seu sorriso, pra logo depois me perturbar com seus beijos. Vem que minha face desajeitada, se sente muito mais amada, quando ganha um beijo teu.

domingo, 12 de fevereiro de 2012


Sentou de frente pro mar, pensou ser capaz de aliviar os pensamentos ao observar as ondas que quebravam. Era de uma beleza singular, pensou ela, enquanto o mormaço a fazia corar.
Seu peito estava apertado, como se alguém muito forte segurasse seu coração sem o menor propósito de soltá-lo. Sua boca seca, mas não pelo calor que ali fazia, mas por qualquer outra coisa. A boca seca, assemelhava-se aos olhos. Secos. Sem mais lágrimas. No fim, isso era bom pros olhos, mas não pra boca. Era como se até um grito interno de socorro precisasse de saliva, mas então, deu-se a sensação de que só ele lhe dava água na boca, e ele se foi. Tinha ido pra longe, como uma onda em recuo.
Quis se enterrar na areia e definhar ao calor, pensou em entrar no mar e se afogar ou pelo menor beber um pouco de água salgada, e passar mal de vez. Afinal, qualquer dor física era melhor que aquilo. Uma dor maçante, sem nome, sem lugar definido, sem fim.
A pequena moça não esperava ter que sobreviver a uma perda, nunca havia passado por uma coisa parecida, sequer havia pensado que era possível algo doer do jeito que estava doendo e o desconhecimento de tal dor, era de certo modo fatal. Ela nunca sabia o que estava por vir. O tempo, conhecido por curar, só fazia a dor aumentar a cada dia, só fazia o vazio ficar mais escuro, o aperto mais denso. O tempo tornou-se vilão.
De certo um dia ela iria se lembrar daquele dia de solidão na praia e rir. Ia se achar patética ao se lembrar das teorias para acabar com sua vida. Teorias tão bobas e infantis. Ela iria contar isso a sua filha quando perdesse um namorado na adolescência, ia servir de exemplo pras amigas ao sobreviver àquela dor que um dia julgou permanente. Mas ali, naquele momento, era impossível pensar em levantar-se, quanto mais em sobreviver. Pois drama é a coisa mais normal do mundo, e é compreensível. Tristeza é natural quando alguém que fazia sua alma sorrir, mergulha em uma onda e nunca mais volta. Levando o seu sorriso, afogando seu coração em dor.
A pequena não tinha culpa, em sofrer tanto de amor.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Clichê.


Querido não se assuste se te quero tão bem como faço, não consigo nem mesmo me culpar. É tão involuntário e forte e ao mesmo tempo tão injusto comigo, tão irritante contigo, tão vergonhoso pra nós dois.
Tem dias que coloco a minha máscara de uma face de quem não liga, tem dias que visto minha capa de invisibilidade e sumo. Mas mesmo invisível pra você, eu te observo a todo tempo. E como não observar? Tem dias que passo sem nenhum sinal, e quase não respiro, me sufoco, me afundo junto com o botão de atualizar. E é tão infantil, eu sei. É tão bobo e clichê. Mas eu não consigo parar. Alguém me faz parar? Como se pára? Devo parar? Não sei se quero parar. Não vou parar.
Porque é isso que me faz sorrir, é como se eu estivesse todo dia em plena primavera. E eu já te disse o quanto gosto de flores?
Eu estou fazendo aquilo não é? Sim eu sei que estou. Estou sendo completamente irritante e melosa. Doce de enjoar, de até amargar. De te irritar, de me envergonhar.
Portanto me despeço com essa desculpa, te dou um tempo para que bebas água. Mas eu vou voltar, eu sempre volto. Ás vezes me canso, mas volto. Sabe o que é amor, é que no fundo eu queria ouvir: Você é tem tudo que eu sempre evitei, sem mais. Porém é tudo que eu mais quero agora demais.
Não ouço, mas imagino, e dramatizo e choro. E me estendo como estou fazendo agora. Eu vou indo, com esperança e te pondo medo sentindo ela. Mas eu não desapareço, apenas vou e volto. Me espera? Te espero. Te quero demais. Perdão.


domingo, 26 de junho de 2011

Passível de fazer sentido.


De uma estrela que talvez tenha encontrado seu céu.

Vem como um raio, que ao invés de me deixar estirada no chão, me deixa extasiada, em choque. Confusa com as palavras que vem em torrentes no meu pensamento. É tanta coisa que quero dizer, e tudo caberia em um só abraço, talvez.
É algo que grudou em mim, se entranhou, se alojou em um órgão que se encontra em flores. Me marcou como um corte profundo, por um caco de vidro grosso que pisei sem perceber. A dor se assemelha a isso por ser igualmente forte. Mas ao invés de jorrar sangue, apenas bombeia. Faz pulsar.
É algo que não se pode evitar, não se pode mais viver sem. E é como essas coisas naturais, que sentimos e temos sem perceber. Como lembranças que nos ocorrem enquanto olhamos para a paisagem em uma viagem de ônibus. O que seria de uma viagem longa, sem a dádiva do pensamento, da imaginação?
Se não existisse céu, onde as estrelas estariam? No mínimo a noite seria um pouco mais triste.
Se não existisse oceano, onde os peixes viveriam? No máximo em um aquário apertado.
Se não existisse você, onde eu estaria? Provavelmente vagando por algo incerto, procurando por estrelas sem céu e peixes sem oceano.
Se você não existisse eu teria que, no mínimo, inventar você. Já que no fim das contas, você parece ter saído exatamente da minha imaginação.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

'


Particularmente, não fico muito feliz em ver as máscaras caindo. Pois quanto mais elas caem, mais meu coração se parte.

- "Não confundir bobos com burros." Já dizia Clarice Lispector. Eu deveria saber.


domingo, 26 de dezembro de 2010

My fucking love.


Não venha querer entrar de novo na minha vida. Rasgando cada ponto de costura que dolorosamente costurei. Não venha com olhar mole, sorriso bobo, palavras doces...
Não venha querer me confundir, me corromper, me persuadir. Não queira se tornar especial de novo. Eu já estou te avisando, eu não tenho mais tempo pras suas inutilidades.
De todos os novos planos que eu fiz pra minha nova vida, você não aparece em nenhum deles. Minha vida não está aberta pra você. Meus pensamentos não estão aptos pra sua imagem. Meu coração não aceita mais a sua presença, portanto, vá embora antes que eu te expulse com meia dúzia de palavras que te machucariam pra sempre.
Eu renasci de novo, eu encontrei um novo horizonte, eu ando vendo luz no fim do túnel e essa luz não reflete de você. Afinal, o que é você, se não uma sombra?
Me corrói essa falsa repulsa, me destrói essas lágrimas, me aflige essa pouca raiva – eu queria ódio.
E por fim, acabo por ficar estressada. Porque eu sei que se tem raiva, tem sentimento.
Se tem sentimento, tem amor.
E se tem amor, eu tô fudida.