sábado, 1 de janeiro de 2011

Bad start.


Primeiro post do ano e já é um desabafo mal iniciado. Irônico? Não. Idiota.
Não sei o que sinto na realidade, mas preciso escrever, preciso me esvaziar, preciso me salvar desses sentimentos sem nome que povoam cada parte mal definida do meu corpo.
Respiro, mas com dificuldade. Eu não deveria precisar de outra pessoa pra fazer isso, uma vez que respirar é involuntário, mas preciso. Necessito.
E no fundo, sei que é isso que me aflige. Não consigo mais não pensar e ao fazer isso me lembro o quão ignorada sou, dói. Por enquanto é suportável, mas até quando? Não sei se quero respostas. Afinal, elas serviriam apenas para trazer mais perguntas.
Me sinto mal. Não era para eu me sentir renovada? Por que esses tormentos atravessaram o ano junto comigo? Por que não morreram junto com o ano que se foi?
Isso não é justo, justamente por fazer parte da vida.
Não sinto mais a magia, não me encantei com os fogos de artifício, abracei verdadeiramente, mas não sei se foi recíproco, não encontrei quem eu queria...
Otimista que sou, sei que isso não se arrastará pelo o ano adentro. – A felicidade está escondida dentro de mim, pronta pra sair.
Pessimista que sou, enxergo isso como um sinal. – Amores não correspondidos são minha especialidade. Me conheço.
O que me resta é esperar, deixar a vida seguir, deixar o tempo passar... Mas quem disse que eu consigo? Desconheço.
Por hora é só, sem discursos bem planejados ou contos confabulados. Apenas um desabafo, uma pequena porcentagem do tudo e do nada que sinto e que sei. Do tudo e do nada que me tornei e da incerteza que está por vir.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Catrina.

Acordou no dia trinta e um de dezembro com um propósito mal acertado. Queria poder parar de errar no ano novo. Olhou para os lados e tudo o que viu foi uma mesma decoração mal acabada, que por falta de dinheiro era obrigada a encarar. Trabalho, esse seria o primeiro item de sua lista imaginária do que queria cumprir. Envergonhava-se toda vez que ia ao banco buscar sua mesada, lhe parecia idiota a idéia de sair de casa e depender dos pais. E de fato era.
Ao tentar pensar na segunda, várias coisas lhe vieram ao mesmo tempo e tateou no criado mudo seu maço de cigarros. Há meses tentou parar de fumar, mas já havia desistido, uma vez que lhe era um vício e sabia que contra seus vícios, ela não podia. E também porque a nicotina lhe acalmava, normal. Tratou de não gastar linhas de sua lista imaginária com isso. Acendeu um cigarro. A fumaça fedorenta lhe fez lembrar suas noites de diversão e concluiu que sem seus amores de uma noite só não podia ficar, outro vício. Necessitava de uma porcentagem de vadiagem, não tinha uma explicação aparente pra isso e ao lembrar-se da infância na igreja, se julgava, mas só até o primeiro gole de uma bebida forte. Não podia contra suas vontades.
Acabando por se achar idiota, se rendeu. Não queria mais listas, nem mesmo trabalho – seu primeiro item. Refletiu sobre felicidade e por mais que quisesse mudar uma coisa aqui, outra ali, se via bem, era acomodada. Portanto decidiu que estaria disposta a errar quantas vezes fosse preciso, se como consequência tivesse a mesma vida do ano que estava por se acabar.
Cigarros, vadiagem, bebidas, falsos amores, falta do que fazer... Assim ela era feliz, assim ela queria o ano novo. E sem objeções feitas a si mesma, virou pro canto e viu um corpo lívido dormindo calmamente. Levantou-se, trocou-se e foi-se embora daquele motel de esquina.
Aquela era a vida dela, era o que ela queria, seja lá quantos anos pudessem se passar.
E toda noite, mesmo na virada, adentrava aquele bar, ali sim tinha um propósito bem definido. Cada noite com um nome diferente, naquela noite, Catrina, como o furacão.



domingo, 26 de dezembro de 2010

My fucking love.


Não venha querer entrar de novo na minha vida. Rasgando cada ponto de costura que dolorosamente costurei. Não venha com olhar mole, sorriso bobo, palavras doces...
Não venha querer me confundir, me corromper, me persuadir. Não queira se tornar especial de novo. Eu já estou te avisando, eu não tenho mais tempo pras suas inutilidades.
De todos os novos planos que eu fiz pra minha nova vida, você não aparece em nenhum deles. Minha vida não está aberta pra você. Meus pensamentos não estão aptos pra sua imagem. Meu coração não aceita mais a sua presença, portanto, vá embora antes que eu te expulse com meia dúzia de palavras que te machucariam pra sempre.
Eu renasci de novo, eu encontrei um novo horizonte, eu ando vendo luz no fim do túnel e essa luz não reflete de você. Afinal, o que é você, se não uma sombra?
Me corrói essa falsa repulsa, me destrói essas lágrimas, me aflige essa pouca raiva – eu queria ódio.
E por fim, acabo por ficar estressada. Porque eu sei que se tem raiva, tem sentimento.
Se tem sentimento, tem amor.
E se tem amor, eu tô fudida.

domingo, 19 de dezembro de 2010

L.o.v.e.

E mesmo que tudo um dia pare. Meus passos, o vento, minha respiração. Eu ainda estarei aqui a esperar. Agarrando-me ao último fio de vida que me restar. Eu vou estar aqui, esperando por você.
Ainda que todos riam de mim, caçoem, debochem. Eu vou tapar meus ouvidos, ouvir uma boa música e pensar em você. E se eterno for o desprezo, ainda assim eu vou estar aqui e eterna será a minha espera.
É estranho imaginar a solidão que vou estar, já que você insiste em não chegar. Ao atordoar-me, me acalmarei. A espera é grande e semelhante é a recompensa.
Eu vou estar aqui no inverno, verei as flores crescerem, aguentarei o forte calor e no outono verei as folhas caírem. Mas eu ainda vou estar aqui, sejam lá quantos natais se passem.
Eu não me revoltarei, não me iludirei e nem me apaixonarei por outro que tente se passar por ti. Eu te olhei bem nos olhos e gravei o seu interior. Eu não me enganarei.
Quando chegares, peço para que não faças barulho. Os ouvidos invejosos estão por toda parte e eu quero guardá-lo longe de toda a sujeira desse mundo.
Eu estou aqui, sentada na calçada da mais deserta avenida, vendo uns outros que te possuem passarem entrelaçados, ás vezes até chorando e me segurando pra não sofrer. Mas eu ainda estou aqui, forte apesar de tudo, confiante e com um largo sorriso, somente a te esperar.
Vem amor, vem me encontrar.