quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Kiss me Teacher


Seu olhar cruza com o meu, mas apenas pra perguntar o resultado da expressão matemática. Eu não sei a resposta, ele responde "tudo bem", entediado. Se ele me perguntasse quanto era um mais um, eu não saberia resposta. Pois ele me deixava tonta, com seu sorriso forçado, com sua barba por fazer, com seu rosto que lhe entregava a idade. Ele era mais velha, eu mais nova. Eu, aluna apaixonada por um professor. Sua aliança parecia brilhar mais que o normal. Talvez pra me mostrar o que ela estava ali pra mostrar... Que ele não era um homem disponível. Mas na minha cabeça, isso pouco importava. Não dizem por aí que adolescente é tudo louco? Então deixa eu completar a minha cota. E com ele, eu completaria minha cota de loucura inteira.
Os minutos parecem voar quando a melhor aula do dia começa. Eu já tenho meu lugar reservado na frente de sua mesa, mas ele nunca me dá bola. Talvez por eu sempre me mostrar tão inútil, tão burra em todas as suas perguntas... Mas o olhar dele me hipnotiza e eu perco o sentido do que é certo. Quem dirá da matemática. A cada dia, a cada semana, a cada mês e no ano, eu sonhei em ter ele pra mim. Me mostando como se eu estivesse com um bilhete dizendo "beije-me", que ele fazia questão de ignorar. Mas eu escolhi assim, em meio a tantos eu escolhi ele. E eu teria ele, custe o que custar.
Eu prometo a mim mesma.

Por Thainara Oliveira.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Dizem que é um coração partido...


... Mas meu corpo inteiro dói."

Eu tô mal. E quando eu digo que eu estou mal, eu estou mal de verdade.
Eu não sei ficar mal pela metade, eu não sei ficar meio mal. Quando é pra ficar, ou quando (infelizmente) acontece eu fico mal pra valer, fico mal por completo.
A fala trava, a saliva engrossa, o água não desce, a comida faz mal, as pessoas não entendem e então o choro vem. As palavras não obedecem, a internet não distrai, músicas se tornam insuportáveis, o espelho reflete a desgraça.
Dói fisicamente. A cabeça dói, o estômago dói, as pernas e os braços também doem... Os olhos ardem, os lábios ressecam, o ouvido zuni, os dentes trincam... Até o ciso que eu não tenho, dói.
O cabelo irrita, o esmalte me faz parecer uma velha ou uma adolescente ridícula, depende da cor. Os dedos doem de tanto estalar, as espinhas doem de tanto serem espremidas, os cravos marcam. A cama fica dura, a chuva fica mais barulhenta, o frio aumenta...
Quando eu tô mal, eu não espero ficar bem. Quando eu tô mal, eu sempre me lembro de alguém.
Quando eu tô mal, eu atribuo à você. Quando eu tô mal você some, quando eu tô mal, seu abraço não está aqui... E dói. E não dói pouco, dói muito.
Não há remédio que resolva essa dor que só o meu psicológico é capaz de criar. Sem sua preseça dói. Sem seu sorriso dói, sem suas piadas sem graças dói, sem você dói demais. E quando eu tô mal, o que me resta é deitar na cama dura, sentir o frio, ouvir a chuva, sentir as dores, procurar o sono perdido e esperar para que no dia seguinte a dor tenha diminuído.

Thainara Oliveira

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sufoco.


E mais uma vez o disco enrosca, a fala falha, o coração em um segundo para de bater.
Eu tenho um super medo de não conseguir sem você, porque eu simplesmente sei que não sou assim tão capaz. Eu tento reprimir um choro que insiste em aparecer e eu tenho uma raiva de parecer tão vulnerável!
Alguém ,por favor, me diz onde eu posso achar o manual onde ensina a mandar o coração a parar de doer? Eu tenho pavor de pensar no que pode acontecer, eu tenho temor de viver uma vida onde você não esteja ao meu lado, eu terror só de pensar no quanto a minha vida vai ficar vazia.
E eu vou aniquilar cada pessoa que vier me dizer que é possível prosseguir, porque não é! Eu sei mais que qualquer pessoa que não é.
Eu não posso interferir, pois essa é apenas uma colheita infeliz daquilo tudo que eu plantei um dia. E me odiar, será que eu posso?
É uma pena pensarem que isso é um teatro, que é de mentira, que é apenas pra não ficar sozinha, pobre alma que não acredita no amor.
Eu tento respirar, eu tento pensar em comer, eu tento não me desesperar, eu tento agir naturalmente, eu tento ser cordial e madura, eu tento, tento, tento e não consigo.
O que me resta é esperar, e se eu vou sobreviver até o fim da espera é uma boa pergunta. Eu vou conseguir me controlar? Eu vou conseguir não passar o dia e a noite imaginando se tem alguém no meu lugar? Eu vou conseguir pensar em ser feliz nesse tempo? Eu vou conseguir?
Eu queria dizer que sim, mas eu já sei que não.
“Eu estou fingindo estar bem, por favor não interrompa minha performance.”

- “You’re the best thing that’s ever been mine”

Thainara ;*

sábado, 11 de setembro de 2010

Only Exception


Era mais um dia frio de um mês do meio do ano. O dia eu nem me lembro, pois a essa hora da manhã, minha cabeça só pensava no quão feliz eu estaria se eu estivesse na minha cama quentinha. Não chovia e me arrependi de ter colocado tênis, minha sapatilha bege ficaria melhor com a minha roupa e combinaria mais com o meu cachecol feito pela vovó.
Fui pro ponto de ônibus. Lá estavam os mesmos rostos de sempre, as expressões é que estavam diferentes, havia uma certa felicidade, mas ela parecia não caber a mim.
O ônibus atrasou mais que o esperado, isso me irritou. Eu ouviria da minha chefe algo que me iria me fazer pensar em dizer algo que ela não gostaria de ouvir. Respirei fundo e coloquei meus fones, uma música sempre cai bem. Droga, bateria fraca. Dez minutos, o coletivo atrasado chegou, um pouco mais vazio que o normal, ainda bem uma coisa diferentemente boa. Engarrafamento de sempre e dessa vez sem música, a porta dianteira abre, alguém entra e eu só fitava os carros ao redor.
Um perfume. Um delicioso aroma, que me fez lembrar como é sorrir àquela hora da manhã. Não me contive, olhei pro outro lado, era um alguém. Não um qualquer, pois aquele cheiro não se encaixava a um padrão.
Me senti tão abobada depois que reparei que ele olhou pra mim de volta e sorriu. Eu estava tão acostumada a rirem de mim e não pra mim que virei meu rosto bruscamente, me remetendo a atos adolescentes, com vergonha me virei para olhá-lo mais uma vez, agora seus olhos estavam fechados. Então pude o observar sem receio, ele não era dotado apenas de um bom perfume, mas também de uma boa aparência. Um rosto másculo, seu cabelo raspado, sua covinha que me foi perceptível por ele estar esboçando um sorriso, eu quis sorrir.
Ele se mexeu e eu me virei pra janela de novo, ele se movimentou e eu não me atrevi a olhar. Demorei, mas quando olhei ele estava em pé. Me estendeu um papel, sorriu e saltou.
“ Amanhã, pode me dizer bom dia, eu não mordo.”
Eu estranhei. Ela faria parte da minha rotina agora? Com certeza fiquei vermelha.
Era mais um dia frio de um mês do meio do ano e agora a felicidade não cabia em mim.


Thainara Oliveira ;*