sábado, 23 de outubro de 2010

Ei, psiu. Eu quero voar.




Nada, nem ninguém vai mudar minhas convicções.
Eu sou doce, mas não sou melada, portanto não abuse.
Eu consigo te hipnotizar se eu quiser, se eu não quiser, eu vou fazer me achar a mais chata de todas.
Eu tenho um poder indescritível sobre mim mesma. Eu me controlo, mas as minhas emoções controlam-me. É bem tenso ás vezes. Sou enrolada, sou abobada, sou aluada, sou viciada em novas emoções. Eu não mando nos meus pensamentos, mas eu mando nas palavras que escrevo. Elas são minhas, só minhas. Ninguém tem noção do quão egoísta posso ser ás vezes, porém sou solidária. Partilho minhas palavras, minhas risadas, minhas lágrimas... Eu não resisto a uma boa música, a uma boa ficção, a uma nova emoção. Eu, simplesmente, não resisto a minha imagem no espelho. Sim, eu me amo. Narcisista, será?
Eu danço pra mim, eu canto pros vizinhos, eu escrevo pra gente que eu nem conheço. É, tipo isso.
Sou escrava das lágrimas, sou direta nelas e indireta demais na discrição. Choro no meio da rua. Eu sou assim. Liberdade é meu lema não cumprido, mas eu caminho pra isso. E fazendo minhas, as palavras de Clarice Lispector "Se você sabe conviver com pessoas intempestivas, emotivas, vulneráveis, amáveis, que explodem na emoção: acolha-me." E agora.

Quem irá me abraçar?
Mas saiba que logo após, eu vou querer voar.

Thainara Oliveira ;*

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O sem sentido. (Madrugada)

E pela noite adentro, eu me esqueço, me desprendo, não sinto dor...
Anestesiada pela madrugada, bêbada de sono eu me torno vulnerável, eu me torno outra.
Não mais dura, não mais maleável demais, apenas mais um corpo, com uma alma em paz.
Enfim em paz.
Desejando sonhar, desenhando por entre as pálpebras um sonho bom, torcendo pelo colorido, entendendo o sem sentido, achando mais uma vez uma razão. Com o coração também em paz.
Enfim em paz mais uma vez.


Thainara Oliveira

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Carta à você.


Você se lembra quando disse que nunca me deixaria quando estava parado na soleira da porta, com uma mala e com a passagem de ônibus em mãos? "Nunca te esquecerei, eu te prometo".
Eu não me esqueci da sua promessa, assim como não esqueci do seu sorriso. Sua imagem desajeitada habita meus sonhos desde o que dia que você se foi, e desde então eu não sei o que é sorrir sem forçar. Eu perdi as contas das vezes que acordei no meio da noite, suada, ofegante e já com lágrimas, que permaneciam quando eu descobria que a sua imagem se desfez. Eu já não os intitulo sonhos e sim pesadelos. É tão doloroso. Resolvi tirar a sua foto do meu mural, nela você sorria e eu não conseguia mais fazer o mesmo. Eu não te esqueci, ao contrário do que aconteceu com você. Mas eu não posso te ter tão presente, já que isso me causa uma dor imensurável. Você me perdoa por eu ser tão fraca? Você não deve saber, mas eu estou quebrando uma promessa. Eu prometi a mim mesma que eu nunca sequer tentaria te apagar da minha história. E agora, por mais que a minha borracha seja falha demais, eu tento cada dia mais. Você não ligou até hoje, nem um e-mail, nem um sms sequer...
Pra quê ser assim tão insensível? Por que prometeu o que sabia que não cumpriria? Você soube exatamente como deixar uma marca. E infelizmente está ainda na carne viva, aberta, sangrando...
Essa é mais uma das dezenas de cartas que vou enterrar no fundo da gaveta, junto com as demais. Elas só servem pra abrir um pouco mais a ferida quando as leio novamente. Pois ás vezes a minha situação é tão surreal, que eu me pergunto se estou vivendo ou estou na irrealidade de um pesadelo. Saiba que por mais que você seja um tratante, um viajante sem rumo que acabou com o rumo da minha vida, eu te amo... E eu ainda espero o dia que você vai voltar, com sua velha mala, parar na soleira da minha porta dizendo que cumpriu a promessa.

Por Thainara Oliveira
;*

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Kiss me Teacher


Seu olhar cruza com o meu, mas apenas pra perguntar o resultado da expressão matemática. Eu não sei a resposta, ele responde "tudo bem", entediado. Se ele me perguntasse quanto era um mais um, eu não saberia resposta. Pois ele me deixava tonta, com seu sorriso forçado, com sua barba por fazer, com seu rosto que lhe entregava a idade. Ele era mais velha, eu mais nova. Eu, aluna apaixonada por um professor. Sua aliança parecia brilhar mais que o normal. Talvez pra me mostrar o que ela estava ali pra mostrar... Que ele não era um homem disponível. Mas na minha cabeça, isso pouco importava. Não dizem por aí que adolescente é tudo louco? Então deixa eu completar a minha cota. E com ele, eu completaria minha cota de loucura inteira.
Os minutos parecem voar quando a melhor aula do dia começa. Eu já tenho meu lugar reservado na frente de sua mesa, mas ele nunca me dá bola. Talvez por eu sempre me mostrar tão inútil, tão burra em todas as suas perguntas... Mas o olhar dele me hipnotiza e eu perco o sentido do que é certo. Quem dirá da matemática. A cada dia, a cada semana, a cada mês e no ano, eu sonhei em ter ele pra mim. Me mostando como se eu estivesse com um bilhete dizendo "beije-me", que ele fazia questão de ignorar. Mas eu escolhi assim, em meio a tantos eu escolhi ele. E eu teria ele, custe o que custar.
Eu prometo a mim mesma.

Por Thainara Oliveira.